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Scrinch - Uma ferramenta para o SCRUM

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 02 de Julho de 2008

Aqui no Brasil não estamos muito familiarizados com dois personagens que fazem parte do imaginário natalino norte-americano: Ebenezer Scrooge e o Grinch. O primeiro, criado por Charles Dickens em 1843, é um velho rabugento e pão-duro. O segundo, criado pelo Dr. Seuss, é uma espécie de hermitão que odeia os Whos, habitantes de uma pequena vila ao pé da montanha onde fica a caverna onde mora. Ambos têm em comum o fato de odiarem o Natal. Daí, alguém que é um Scrinch, mistura de Scrooge com Grinch, é alguém que odeia MUITO o Natal.

Toda a vez que falo sobre SCRUM, dentre as várias perguntas que me fazem, uma delas é: "Há algum software que ajude no controle e implantação desses processos?". Minha resposta típica é: "um monte de post-its, um quadro branco, planilhas e documentos que possam ser compartilhados.". Em artigos anteriores apontei para exemplos de Product Backlog e Sprint Backlog que se valem desse tipo de documentos. Uma busca por Scrum no Freshmeat ou no SourceForge também aponta para uma série de programas que podem ser úteis, boa parte deles baseados em uma interface web, com maior ou menor grau de complexidade. Um dos que mais gostei chama-se, justamente, Scrinch.

O programa é escrito em Java e, para começar a explorá-lo, basta fazer o download, descompactá-lo em um diretório apropriado e executá-lo seguindo as instruções contidas em um arquivo README.TXT. Por ser escrito em Java, já é multiplataforma por natureza e poderá ser utilizado no sistema operacional de sua preferência. No mesmo diretório há um sucinto manual de usuário (21 páginas, contando o índice), que também pode ser acessado no wiki do projeto. Os relatórios (que incluem gráficos) gerados para o acompanhamento do projeto podem ser exportados para arquivos em PDF, facilitando o compartilhamento de informações. Um projeto exemplo também está disponível para os preguiçosos que, como eu, querem ver rapidinho tudo o que o programa é capaz de fazer antes de começar a brincar com ele.

Uma coisa que eu achei especialmente interessante é a forma como a prioridade das tarefas é definida. Segundo o manual, cada tarefa tem ao menos duas propriedades, BV, ou o valor para o negócio (business value), que é a prioridade definida pelo cliente do projeto; e W, a carga de trabalho (workload), que é definida pelos desenvolvedores. A prioridade de cada tarefa é o valor da divisão BV/W. "BV e W não são valores exatos, eles não representam horas ou dias, mas os números 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21 (a seqüência de Fibonacci). É muito difícil avaliar exatamente uma tarefa. Então, para que seguir usando horas? É mais fácil dizer que a tarefa A é mais fácil que a tarefa B e atribuir cargas de trabalho proporcionais", dizem os autores. O cálculo de horas para uma determinada tarefa é, sempre, muito complexo. Ele exige que se conheça muito bem a tecnologia com a qual se trabalha e a real produtividade de cada membro da equipe. Como temos que estar sempre de olhos abertos a novas tecnologias e como os membros de uma equipe podem não ser os mesmos no decorrer de todo o tempo da realização de um projeto, que também pode ter seus requisitos ajustados, as variáveis para o cálculo de horas são tantas que essa idéia de usar a seqüência de Fibonacci como um fator de relação entre tarefas, ao invés da atribuição inexata de um número de horas, não parece tão absurda. "É um tanto incômodo no início, mas bastante útil no final", ainda segundo o manual.

Para aqueles que estão começando a se aventurar com o Scrum, o Scrinch e seu manual podem ser um bom ponto de partida, mantendo todos os artefatos e controles do processo em um ambiente único e consolidado. Para os que já conhecem o processo, ainda assim, vale a pena dar uma olhada na ferramenta e seus exemplos. Só não tive, ainda, uma resposta dos autores quanto ao nome do projeto. Será alguma rabugice deles com relação ao Natal?

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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