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Queridos Leitores - 2

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 12 de Setembro de 2006

Quando o Rubens Queiroz convidou-me a escrever um artigo semanal para o Dicas-L, pensei: será que tenho tanto assunto? Gosto de conversar e escrever, mas, de verdade, achei que não fosse tão fácil quanto acabou sendo. Os próprios leitores têm me instigado, com seus comentários, a evoluir determinados assuntos ou mesmo explorar outros. Os comentários acabam surgindo não só aqui no Dicas-L, mas também no Br-Linux. E assim como eu entrei de carona na entrevista do Eric Raymond para o Infomedia TV em meu artigo anterior para expressar minha opinião, o Antonio Fonseca escreveu um artigo excelente expressando seu pensamento em uma análise crítica muito construtiva.

O Diabo programa em Java II, ou "Queridos Leitores"...

Aliás, tenho Complexo de Poliana. Toda a crítica que leio interpreto como construtiva. Queria poder responder a todos os comentários aqui, até para não parecer o preconceituoso que o John Sanders sugeriu na resposta ao primeiro artigo da série Queridos Leitores. Mais adiante, no artigo Todos somos programadores tentei corrigir um pouco ao ilustrá-lo com um programa em Python e ressaltar que a Nasa também usa esta linguagem, assim como usa o Perl. Tenho minhas preferências pessoais, claro, mas concordo com o LLeite e outros leitores que, de uma forma ou outra, falaram que a linguagem não é a única coisa a ser escolhida quando se desenvolve algo e que, afinal, a boa linguagem é aquela na qual somos produtivos. Vai um pouco além disto, mas não tenho muito a acrescentar ao conjunto de bons comentários.

Ainda sobre o mesmo artigo, o Eusébio Costa Neves diz que se eu fosse pago para falar bem de Java, eu falaria. O pior é que li e reli o artigo e não achei que tivesse falado mal. Nem de Java e nem de Perl, duas entre as várias linguagens usadas pela Nasa (Tá bom, queridos leitores! Vou parar com esta brincadeira!). Ele também fala sobre o meu suposto antigo diabo, a Microsoft. Que eu lembre, nunca tive nenhum diabo pessoal. Tirei até um tempo para ver se havia alguma inconsistência entre as várias entrevistas, declarações e coisas que escrevi com a ajuda do grande irmão. Não encontrei nada.

Oxigênio

Fiquei muito feliz por poder aprender ainda mais com os comentários deste artigo, especialmente com os links 1, 2 e 3 submetidos pelo Cleiton Peres Reis. Foi uma excelente leitura e espero em breve poder produzir um novo artigo sobre computação pervasiva. Tive algumas oportunidades já de sugerir estes links àqueles que querem idéias para trabalhos de conclusão de curso.

Educação e Tecnologia - 3, Todos somos programadores

Fez um bem danado para o meu ego o conjunto de comentários deste artigo. Deu até pra matar a saudade, ainda que de forma virtual, do Prof. André Duarte Bueno do LENEP. O Professor escreveu um outro artigo, muito superior ao meu, em seu comentário. Michele e Fabiane, vocês é que levantaram a minha auto-estima! Já nem me considero mais um programador. Uma vez, em uma palestra, quando alguém da platéia perguntou-me o que era ser consultor respondi que "a gente vira consultor quando não consegue mais explicar pra família da gente o que faz". Depois que virei consultor também tenho mais lido código alheio e palpitado do que efetivamente programado. O Hugo Corbucci, que trabalha no projeto Archimedes, certa vez me demonstrava o programa e pedi para ver uma parte específica do código, curioso sobre como resolviam um certo problema. Ele comentou com a Mari, namorada e também desenvolvedora: "de tanto pedaço de código pra ver, ele foi pedir justo este!". Seguimos tomando vinho e curtindo a noite e o filé temperado com açúcar e enrolado com bacon que o pai do Hugo nos preparou. Acho que a gente vira consultor ao mesmo tempo em que vira adivinho. Mas que deu vontade de programar de novo com o desafio do Jandui, isto deu! Um algoritmo "para retirar uma casca de feijão do dente da frente com a língua"! É um trabalho de doutorado! Obrigado a todos os demais que não citei nominalmente!

Eric Raymond, Armas, Linux e Microsoft

Fica difícil separar em alguns comentários as críticas ao meu artigo e as relativas à entrevista do Eric Raymond para o InfomediaTV. Concordo com o Rafael Fonseca que seria legal ter textos do Sérgio Amadeu no Dicas-L. Sou fã do Sérgio e lembro especialmente de uma excelente conversa que tivemos ainda no final de 2003, quando eu organizava o temário da Conferência Internacional Software Livre Brasil, da qual a Microsoft participou como patrocinadora e painelista. Mesmo fã, não é em tudo que concordo com ele, o que jamais impossibilitou o diálogo. Temos muitas coisas nas quais concordamos também. A conversa inteligente não precisa, necessariamente, levar a uma convergência de idéias. Acho que a inclusão não passa pela "negação de porcarias proprietárias". Considero até um desrespeito chamar de "porcarias" o que é escolha de outros, independente de seu poder aquisitivo. Muitas tecnologias hoje estão disponíveis para muita gente porque, antes de se popularizarem, alguns poucos puderam pagar por elas. Uma coisa que sempre digo é que o Linux pôde penetrar em muitos lares porque antes um computador com Windows já estava lá. Também penso que o caminho para a inclusão digital não deveria passar pela reciclagem dos restos daqueles que têm o tal poder aquisitivo, mas se este é um caminho pelo qual ainda somos obrigados a passar até que conquistemos uma solução, que seja assim. Quanta gente pode comprar um carro novo? Mais gente pode comprar um carro usado. Mais gente um ainda mais usado, de terceira quarta ou quinta mão em diante. Isto é a realidade da sociedade de consumo. Esta sociedade está passando por um processo de falência sobre o qual muito se fala a respeito e muito pouco se faz de concreto. Gosto de ações pontuais e efetivas, por isto sou incentivador do grupo Gnurias, do voluntariado em qualquer mínima hora disponível, da ação de melhoria atômica, bem no estilo daquele filme A Corrente do Bem. Já disse lá em cima: tenho complexo de Poliana.

Ziggystardust, outros anônimos e alguns aos quais agradeço a gentileza de exporem seus nomes reclamam neste e em outros artigos que faço propaganda. Ziggy atribui a mim a invenção do conceito de "Free Publicity". Gostei! Toda a propaganda de meu trabalho, assim como a de outros projetos nos quais me envolvo, foram feitas na base do "marketing viral". Na maioria dos casos, nem era eu quem falava à respeito destes trabalhos, mas outras pessoas. Uma rápida pesquisa no Google mostra que meus artigos no Dicas-L repercutem bastante. Se isto é a tal da "Free Publicity", ótimo! Vivo de software livre desde 1997. Gosto de falar disto pois acredito que este é um modelo de negócios que pode beneficiar mais pessoas. A Solis é um exemplo de realização daquilo em que acredito. Se falar do que faço em um artigo é fazer propaganda, sinceramente, não me incomodo com isto! Enquanto ajudo mais alguns do que atrapalho outros, está bom. Cada um escolhe o que lê.

Abraços a todos!

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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